Novidades da Trilogia do Novo Elo

Olá pessoal, hoje disponibilizei uma nova versão do livro Maré Vermelha. Ela conta com algumas novas correções no texto e incluí uma imagem de um mapa das regiões mencionadas no livro.

capa livro maré vemelha

Você pode baixar o livro para ler em seu dispositivo favorito aqui.

Capa Olhos Negros

Para você que acabou de chegar, comece com Olhos Negros.

 

 

Recentemente terminei o segundo manuscrito de Oráculo Esquecido e já sigo no trabalho do terceiro manuscrito. :-) Ao final do segundo manuscrito contabilizei 678 páginas, 205.324 palavras, 120 capítulos e mais alguns mini-capítulos (epílogos).  Ficou bem maior que os livros anteriores, mas pretendo enxugar um pouco o texto para o lançamento, em breve.

Vejam o mapa incluído em Maré Vermelha:

Mapa

Mapa

1356 – Bernard Cornwell

1356 capa

1356

Bom, certamente não é um livro de fantasia, mas certamente esta ficção histórica tem afinidade com muitos títulos de fantasia que tratam em sua temática o enfrentamento de forças militares no período medieval, como é o caso de O Senhor dos Anéis e das Crônicas de Gelo e Fogo (Guerra dos Tronos).

Este livro trata de uma versão ficcional da Batalha de Poitiers, uma importante batalha ocorrida no ano de 1356 no contexto dos longos conflitos ocorridos entre França e Inglaterra (Guerra dos 100 Anos). Traz como protagonista (a volta de) Thomas de Hookton, um arqueiro Inglês que foi elevado ao status de cavaleiro durante a “série do Graal” composta pelos livros “O Arqueiro”, “O Andarilho” e “O Herege”. Bem, não quer dizer que o livro trata apenas desta batalha, esta na verdade é o ponto culminante da trama. Esta se desenha desde o início e envolve uma relíquia da igreja, a espada La Malice, apelido dado à espada que teria pertencido a Pedro, discípulo de Jesus. Também é citada em determinada passagem bíblica, portanto, um item sagrado para a Igreja Católica.

Fora a questão da batalha, a trama está centrada no mistério em torno do paradeiro e origem da espada, mas também tem outras tramas com elementos de romance, intriga e vingança que envolve uma gama de personagens interessantes de diversas naturezas, tais como, frades, padres, reis, senhores feudais, homens do grupo mercenário de Thomas, os Hellequins, nobres cavaleiros, e até guerreiros e nobres escoceses. Esse elenco é bem caracterizado e o autor possui habilidade para fazer o leitor detestar alguns deles, simpatizar ou torcer por outros na medida em que a trama se desenvolve.

Bernard Cornwell é britânico e já publicou um grande número de romances históricos com aspecto militarista. É muito habilidoso em suas descrições de cenários, construção de personagens e principalmente, na forma que descreve e reconstrói confrontos armados, diria até, que ele é didático, pois ensina ao leitor não habituado com os termos de batalha, armas, armaduras e seu funcionamento e o próprio contexto histórico que circunda a trama. Não é para menos, visto que ele é um renomado professor de história.

Gostei muito deste livro, certamente o primeiro de muitos a ler deste habilidoso autor. Uma leitura recomendada, sem sombra de dúvida!

The Tombs of Atuan – Ursula K. Le Guin

The Tombs of Atuan

Este é o segundo livro da série Earthsea. É a estória da jovem Tenar, ou Arha, a reencarnação da sacerdotisa chefe culto aos “Não nomeados (Nameless Ones)”, uma religião quase esquecida. Sua tarefa de vida é ser a guardiã das Tumbas de Atuan. E para os que leram o primeiro livro da série é oportunidade de reencontrarmos o mago Ged, mais conhecido como Sparrowhawk, que figura como personagem secundário na trama. (Leia sobre A Wizard of Earthsea)

É um livro que começa com um passo lento, e que tende a se manter por quase toda a narrativa. Mas isto não significa que seja entediante. Se passa praticamente numa única locação, isolada e claustrofóbica. A autora estabelece uma atmosfera introspectiva e sombria. Um livro que mostra o estilo de vida reservado das sacerdotisas que guardam os velhos rituais, conhecimentos e as tumbas, em si.

Ahra é confiante para alguns assuntos, mas muito insegura para outros e suas dúvidas e incertezas são projetadas de algum modo aos leitores. No decorrer da narrativa, se mostra uma heroína forte que descobre maneiras de confrontar graves questões. Ela foi doutrinada numa religião dura e antiga e muitos de seus preceitos colocam-na em dúvida sobre as decisões que deve tomar e como deve agir. É um tipo de história na qual a protagonista evolui seu entendimento sobre as coisas e sobre sua própria vida.

Como pano de fundo para a vivência da jovem está a terra de Earthsea, com sua magia poderosa, porém contida e rara, relacionada ao verdadeiro nome das coisas. Desta vez, estamos em uma das ilhas do império Kargish, mais especificamente, num templo arruinado no meio de um deserto e longe da civilização.

Se comparado ao primeiro livro, este é mais sombrio e ainda, há um troca de polarização de gênero. O primeiro fala de um universo masculino enquanto o segundo é predominantemente feminino. Mas há antagonistas bem interessantes, tanto humanas quanto sobrenaturais. Não é um livro de fantasia do tipo, espada e feitiçaria, com inimigos a derrotar e missões a cumprir. Na realidade Ged tem uma missão, que é recuperar o a metade perdida do anel de Erreth-Akbe, mas sua missão não é o foco da estória e sim a jornada interior de Tenar.

É uma bom livro de fantasia que, devido ao contraste com o primeiro livro, faz pensar que qualquer coisa pode acontecer nos próximos livros da série.

Os livros são: A Wizard of Earthsea (1968), The Tombs of Atuan (1971), The Farthest Shore (1972), Tehanu: The Last Book of Earthsea (1990) e The Other Wind ( 2001). Também foram produzidos uma mini-série de TV (http://www.imdb.com/title/tt0407384/) e um anime, Tales from Earthsea, do Studio Gibli, dirigido por Goro Miyazaki (filho de Hayao Miyazaki diretor de A viagem de Chihiro, Castelo Animado, entre outros).

Leia mais sobre Earthsea em: http://en.wikipedia.org/wiki/Earthsea

Veja um mapa de Earthsea: http://www.ursulakleguin.com/EarthseaMaps/

Mais sobre a autora em: http://www.ursulakleguin.com/UKL_info.html

Swords and Deviltry – Fritz Leiber

Swords and DeviltryRecentemente falamos do autor estadunidense Fritz Leiber, agora vejamos o título “Swords and Deviltry”, mencionado na lista de 100 livros de fantasia de leitura mandatória (100 Must Read Fantasy Novels) de Stephen E. Andrews e Nick Rennison.

Este título é uma coleção de contos com os memoráveis personagens Fafhrd e Gray Mouser. Os contos reunidos foram publicados entre 1957 e 1970.

Vamos aos contos.

Induction (1957)

Na verdade não é um conto, mas uma pequena introdução ao mundo de Nehwon, uma breve visão de sua geografia, sua mais famosa cidade, Lankhmar, e seus dois célebres personagens, Fafhrd e Gray Mouser.

The Snow Women (1970)

Esta é a estória da origem de Fafhrd. Nas regiões geladas, vive de modo praticamente isolado, o clã matriarcal do herói. Fafhrd anseia por escapar dali em busca da civilização. Ele encontra a resistência de sua própria mãe, uma feiticeira, mas é estimulado a partir pelos encantos da dançarina que faz parte de uma trupe itinerante que conhece em uma aldeia próxima de seu lar.

The Unholy Grail (1962)

Analogamente, esta é a estória de origem do Gray Mouser, mas antes de ser chamado assim, era um aprendiz do feiticeiro Glavas Rho, e era conhecido apenas como Mouse. Quando seu mestre é assassinado, Mouse busca vingança contra o cruel duque Janarrl. A filha do duque, Ivrian, que tinha contato prévio com ele e seu mestre, pode ser a chave para Mouse escapar das torturas de Janarrl.

Ill Met in Lankhmar (1970)

Originalmente esta novela ganhou os prêmio Nebula (1970) e Hugo (1971). Narra o primeiro encontro e aventura conjunta da dupla. O escritor William Gibson já comentou que “(…) as estórias de Fafhrd e do Gray Mouser são um gênero em si (…)” e tive essa sensação, lendo mais meia dúzia dos estórias do volume “Swords Against Death”. Para quem conhece, possuem um clima que lembra bem aventuras de RPG. Muitas de suas estórias foram escritas antes mesmo da invenção dos jogos. Há muito contraste de clima neste conto, começando com pancadaria, passando por passagens bem humoradas até chegar em tonalidades sombrias e inesperadas.

Enfim, essa antologia reúne três estórias, mas penso que a diversão começa de fato na continuação da série, pois já estou terminando a segunda coletânea e sensação que tive é que as aventuras vão ficando mais interessantes à medida em que vamos conhecendo mais os personagens e o mundo de Nehwon e que nos familiarizarmos com as relações e referências entre as estórias.

Fritz Leiber

Fritz LeiberFritz Leiber (Jr.) (1910-1992) foi um importante escritor estadunidense dos gêneros de fantasia, horror e ficção científica. Filho do ator Fritz Leiber, ele também atuou em filmes e escreveu alguns roteiros para o cinema.

Fafhrd e Gray Mouser

É muito conhecido por sua série de fantasia heroica protagonizada pela dupla Fafhrd e Gray Mouser. Os contos iniciais foram eventualmente reunidos sob nome da série “Swords” (Espadas). Assim foram publicadas as coleções “Swords and Deviltry” (1970), “Swords Against Death” (1970), “Swords in the Mist” (1968), “Swords Against Wizardry” (1968), “Swords and Ice Magic” (1975), “Farewell to Lankhmar” ou “The Knight and Knave of Swords” (1988) e “Swords Against the Shadowland” (2012). Houve também algumas adaptações para quadrinhos como a série que saiu pela Dark Horse Comics.

Ilustração por Clyde Caldwell (1991)

Fafhrd e Gray Mouser numa ilustração de Clyde Caldwell (1991)

Ele foi indicado inúmeras vezes e em diversas categorias aos prêmios Hugo, Nebula, Locus, World Fantasy entre outros. Veja o quadro abaixo com suas premiações:

Ano

Prêmio

Título

Categoria

1958

Hugo

The Big Time

Melhor romance

1962

Hugo

Prêmio especial

1965

Hugo

The Wanderer

Prêmio especial

1968

Hugo

Gonna Roll the Bones

Melhor noveleta

1968

Nebula

Gonna Roll the Bones

Melhor noveleta

1970

Hugo

Ship of Shadows

Melhor novela

1971

Hugo

Ill Met in Lankhmar

Melhor novela

1971

Nebula

Ill Met in Lankhmar

Melhor novela

1975

Gandalf

Grão mestre da fantasia

1976

British Fantasy

The Second Book of Fritz Leiber

Melhor conto

1976

Hugo

Catch That Zeppelin!

Melhor conto

1976

Nebula

Catch That Zeppelin!

Melhor conto

1976

World Fantasy

Conjunto da obra (Life Achievement)

1976

World Fantasy

Belsen Express

Melhor conto

1978

World Fantasy

Our Lady of Darkness

Melhor romance

1980

British Fantasy

The Button Molder

Melhor conto

1981

Balrog

Prêmio especial

1981

Nebula

Prêmio de Grão Mestre

1987

Bram Stoker

Conjunto da obra (Life Achievement)

A noveleta vencedora do Hugo e Nebula em1971, “Ill Met in Lankhmar” faz parte da coleção “Swords and Deviltry” que configura na lista 100 Must Read Fantasy Novels de Stephen E. Andrewsand e Nick Rennison. Sendo assim, este um artigo da sequência “Must Read Fantasy Novels”.

Logo mais disponibilizaremos uma resenha de  “Swords and Deviltry”.

Em suas obras de ficção científica, The Wanderer, recebeu prêmio Hugo (especial) em 1965, mas é interessante ver que há críticas a uma premiação no Hugo ser referência para bons livros, como podemos ver na opinião expressa por Josh Wimmer no artigo intitulado “Sorry, Fritz Leiber — The Wanderer Is Terrible”. Visão semelhante é expressa no artigo Why on earth did Fritz Leiber win the Hugo? do site The Guardian.

The Big TimeO romance The Big Time, vencedor do Hugo em 1958, é uma história com temática de viagens no tempo na qual as fações rivais “Spiders” e “Snakes” estão envolvidas num conflito sem fim (Change War) para determinar o futuro. Neil Gaiman comenta este romance e diz que é uma uma história notavelmente sofisticada, incomum para a ficção científica publicada naquele período. Contém muitos do temas preferidos por Leiber como Shakespeare e o teatro, identidades alternativas, alcoolismo, sadomasoquismo, Alemanha e o Tempo. É engraçado, inteligente ao brincar com grandes temas em um minúsculo palco e demanda muito de seus leitores. Assim não é uma surpresa que tenha sido premiado com o Hugo em 1958, ainda que, mais de cinquenta anos depois, continue um romance relativamente desconhecido.

Our Lady of Darkness (1977) está entre seus romances de horror mais conhecidos, e como muitos de seus trabalhos finais, são autobiográficos no sentido de relatar sua luta na vida real contra a depressão e o alcoolismo.

O autor correspondeu-se com H. P. Lovecraft, o qual encorajou e influenciou seu desenvolvimento literário; sob influência deste contato escreveu a novela de horror, The Dealings of Daniel Kesserich (1936; publicada após sua morte pela Tor, em 1997).

 Sword and Sorcery

O termo “Sword and Sorcery” começou a ser utilizado após uma ocasião em 1961 quando o escritor e editor, Michael Moorcock, requisitou um termo para descrever o subgênero de fantasia em que heróis “musculosos” entravam em conflito com uma variedade de vilões, principalmente feiticeiros, bruxos, espíritos malígnos e outras forças sobrenaturais. Fritz Leiber sugeriu “Sword and Sorcery” e o termo pegou.

Sua obra é vasta e difícil de cobrir num artigo de introdução como este, especialmente para quem leu apenas dois de seus livros até então. Para se ter uma ideia mais completa, vale visitar a página dedicada ao autor no site Fantastic Fiction: http://www.fantasticfiction.co.uk/l/fritz-leiber/

Outros artigos desta série:

Duplo Fantasia Heroica 2 – Christopher Kastensmidt e Roberto de Sousa Causo

302-588762-0-5-duplo-fantasia-heroica-2-a-batalha-temeraria-contra-o-capelobo-encontros-de-sangueDuplo Fantasia Heroica 2

Há quase um ano, falamos sobre o primeiro livro desta série da Editora Devir que nos trás histórias de Espada e Feitiçaria com um aroma tupiniquim. A dupla de autores, Christopher Kastensmidt e Roberto de Sousa Causo continuam a desenvolver suas narrativas das sequencias “A Bandeira do Elefante e da Arara” e da “Saga de Tajarê”.

A Batalha Temerária contra o Capelobo

Anteriormente, em “O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara”, em  fomos apresentados à dupla, Gerard Van Oost, um holandês que veio se aventurar no Brasil, e Oludara, um ex-escravo africano, também recém chegado em nossas terras.

Agora, a dupla já viaja explorando este Brasil selvagem e fantástico portando a Bandeira de exploradores com os símbolos do Elefante e da Arara. Nesta nova aventura, a dupla resolve buscar aconselhamento sobre como sobreviver nas terras selvagens. Procuram por uma tribo de índios Tupinambás, mesmo sendo essa estratégia um tanto perigosa. E adiante, como uma forma de se integrarem de alguma forma à tribo, surge o desafio de confrontarem uma terrível criatura fantástica pertencente ao folclore do Pará e do Maranhão, o Capelobo.

O texto do autor, mantém suas características marcantes, a fluidez e evocação de imagens vívidas. As personagens continuam a ser desenvolvidas de maneira cativante e vamos aprendendo a gostar um pouco mais da dupla, suas visões de mundo e a maneira pela qual enfrentam as situações difíceis sempre com um toque de esperteza e bom humor. Soma-se ao time, a índia Tupinambá, Arani, que ao que parece, veio para ficar nas histórias desta sequencia. Vale mencionar que o embate contra o Capelobo em si é bastante instigante constituindo ponto forte desta segunda narrativa.

Encontros de Sangue

Esta noveleta é continuação da saga que teve inicio em “A Sombra dos Homens – A Saga de Tajarê” e depois em “A Travessia”.

A esposa de Tajarê, a sacerdotisa viking Sjala, servidora do deus Loki, continua sua jornada de retorno ao lar navegando pelo Grande Rio. Nesta narrativa, o herói Tajarê está ausente, mas seus irmãos, Luantá e Suantã seguem viagem junto a Sjala, Uilamuê, o pai de Tajarê, e o sábio e poderoso pajé Sotowái.

Durante a jornada, conhecemos o passado de Sjala. Uma parte da narrativa que inclui elementos da mitologia nórdica que contrastam com a mitologia indígena e folclórica brasileira. Uma combinação de mitologias inusitada, de sabor exótico e pouco explorada por outros autores. As Icamiabas (amazonas de Atlantônia) voltam a aparecer, há confrontos com criaturas fantásticas denominadas Igpupiaras e a história evolui para mostrar o prenúncio de uma guerra a ser provocada pelo ambicioso Tupamacuia, um dos chefes da Aldeia do Coração da Terra.

Para provocar no leitor sensação de imersão no universo fantástico do Amazonas prévio à colonização européia, o autor usa recursos de linguagem para fazer a narrativa soar de algum modo indígena e/ou refletir a mentalidade e visão de mundo desta cultura. Em alguns diálogos extensos, isto ainda pode representar alguma dificuldade de entendimento (precisei de ler alguns trechos duas vezes, só para ter certeza), mas houve um ganho de fluidez na leitura em relação às duas narrativas anteriores, visto que agora este “indionês” ficou restrito apenas às falas das personagens.

***
Aguarde mais notícias sobre a série Duplo Fantasia Heroica, pois já estamos com o terceiro livro aqui que trás mais duas noveletas. Infelizmente, a saga de Tajarê não aparece nesta sequência. Mas aguarde! Fizemos um contato com o autor que nos revelou que está a escrevendo a noveleta, “A Terra Outra”, que narra o que aconteceu a Tajarê depois do seu desaparecimento em “A Travessia”. Revela também que após terminar essa história, ficarão faltando apenas duas para fechar um segundo livro: “A Sombra da Espada”. Ficamos animados com as notícias, pois esta saga apresenta uma mistura única de elementos e merece mesmo ser continuada!

Viste os sites dos autores:

Christopher Kastensmidt – http://www.eamb.org

Roberto de Sousa Causo – http://robertocauso.com.br/

 

The Hero of Ages – Brandon Sanderson

Hero of Ages CapaEncerra-se neste volume a excelente trilogia de Brandon Sanderson, Mistborn. Neste terceiro livro, acompanhamos os protagonistas num mundo no qual o apocalipse é iminente. Bem, confesso que a dificuldade de escrever sem algum nível de spoilers é grande neste ponto, mas vamos lá, procurarei ao menos minimizá-los.

 O argumento é bem fechado, sendo que o autor resgata diversos elementos citados dos livros anteriores para responder a algumas perguntas que ficaram no ar, como por exemplo, como e porque o mundo tornou-se tão devastado após a ascensão do Lord Ruler.

O título do livro, Hero of Ages diz respeito ao herói profetizado pelo povo de Terris, antes da ascensão do imperador deposto por Vin no início da série. Porém, mesmo essas profecias são postas em cheque na medida em que surgem evidências de que há uma força capaz de influenciar as pessoas do mundo e até mesmo os livros que foram escritos.

 Um dos aspectos excitantes e que são muita tensão à narrativa neste terceiro livro diz respeito justamente sensação de impotência ao confrontar um inimigo que parece ser impossível de se contrapor, um oponente praticamente onipotente e onipresente.

 Temos Vin ao lado de Elend e o restante da equipe de Kelsier, como Ham, Sazed e Spook, cada qual desempenhando um papel para tentar contrapor o final dos tempos. A narrativa se divide em quatro núcleos, um ligado a Vin e Elend ao redor de Fradrex City, um ao redor de Spook em Urteau, outro com TenSoon entre os Kandra e outro com Marsh em diversas locações.

 Vemos o relacionamento de Elend e Vin se desenvolver ainda mais na medida em que buscam pistas do tipo “migalha de pão” deixadas pelo Lord Ruler, mas um dos pontos que deu vida ao terceiro livro foi justamente uma reviravolta relacionada ao personagem Spook, ainda pouco explorado nos outros dois volumes. Talvez tenha sido a linha de estória mais interessante entre as que se desenvolviam em paralelo no livro final. Não menos interessante é o que acontece com TenSoon (um de meus personagens favoritos no segundo livro), e o que é revelado sobre a raça dos Kandra, seres capazes de mimetizar outros seres vivos ao absorver seus ossos e reconstituir com quase perfeição, o corpo e até os maneirismos psicológicos.

O que acontece a Elend é uma outra boa surpresa, sendo que se torna um dos mais poderosos mistborns já vistos. O nível de poder alcançado pela dupla, somente é rivalizado pelos temíveis inquisidores. Marsh, o irmão de Kelsier, convertido a inquisidor no primeiro livro, volta, atuando como personagem ativo da trama e mostra um pouco do ponto de vista do inimigo que todos confrontam.

 Sazed vive um conflito existencial durante o livro, mas também vive um papel essencial em direção ao magnífico desfecho da trama.

 Outro ponto que não pode deixar de ser citado é sobre o engenhoso sistema de magia da saga que neste livro recebe mais detalhes que explicam muitos pontos em aberto.

Enfim, essa trilogia é maravilhosa. Uma grande realização da fantasia contemporânea. Um tipo de obra para ser degustada e estudada. Revelou para mim um autor que tem seu lugar entre os grandes. Não é atoa que foi ele o selecionado pela família de Robert Jordan para escrever os volumes finais da série The Wheel of Time, que estava inacabada após a morte do autor. Fica minha recomendação: não deixe de ler!

The Well of Ascension – Brandon Sanderson

É o segundo livro da série iniciada em Mistborn (leia aqui um comentário sobre o primeiro livro). Bem, se você não leu o primeiro livro, sugiro que pare aqui, pois será difícil falar deste sem contar coisas sobre o desfecho do primeiro. Mas se não se importar com spoilers, siga adiante.

Lembrando sobre a série, esta se passa num mundo assolado por constantes chuvas de fuligem e cinzas durante os dias e que, durante as noites, é invadido por uma misteriosa névoa que cobre toda sua superfície. O imperador que oprimia a população e parecia impossível de se derrotar finalmente cai. É interessante ver uma história segue contando o que acontece depois que um “lorde das trevas” é derrotado. Mas, o que haveria para acontecer depois que o principal vilão é derrotado? Ora, muita coisa!

Certo, o tirano está morto, mas quem tomará seu lugar? Como funcionará a economia e política? O que ocorre é que em Well of Acencion temos uma guerra civil. Acompanhamos, mais de perto, a Mistborn, Vin, e seu par romântico, o nobre, Elend Venture, que de algum modo conseguiu tornar-se rei de Luthadel. Mas logo a capital sofre o cerco de três exércitos, todos atrás a fortuna que teria sido deixada pelo Lord Ruler.

Neste contexto, os interesses da classe nobre, dos mercadores e da ex-população de escravos,os Skaa, se chocam. O inverno se aproxima e alguém precisa continuar cultivando os campos e trabalhar nas fábricas. Como a economia de um império escravagista poderá se adaptar após um golpe abrupto, de um dia para o outro?

Outro tema explorado é relativo às lendas que a religião do império pregava. O antigo imperador teria salvado o mundo de um grande mal (the Deepness) e como recompensa teria sido imbuído de grande poder mágico (alomântico) e imortalidade para governar. Mas e se as lendas fossem mesmo verdadeiras? Com a morte do imperador, a neblina torna-se mais forte aparecem rumores indicando que ela anda matando pessoas…

O cerco sobre Luthadel é intenso e também uma intensa trama de espionagem e contra-espionagem se estabelece. Neste contexto, temos um novo Mistborn, Zane, que aparece para confrontar Vin. E de outro lado, uma trama que envolve os Kandra, uma raça de seres que podem tomar a forma de qualquer pessoa ou animal, mas que obedecem a um rígido contrato para com os seres humanos, que os impede de matá-los e os obriga sempre a estar à serviço de alguma pessoa.

Outros seres que também foram mencionados no primeiro volume também surgem para tornar as coisas mais problemáticas são os Koloss. São criaturas enorme, horríveis e brutais que se juntam ao cerco a Luthadel. (me fizerem pensar um pouco nos Titãs da série de animação japonesa Shingeki no Kyojin).

Para quem sentiu que o clima do primeiro livro tinha um clima pesado, poderá se surpreender com o quanto mais sombrio o segundo se tornou. Neste contexto tenso, os protagonistas vivenciam alguns conflitos que trazem ao leitor alguma reflexão sobre temas como confiança, amor, amizade (também presentes no primeiro) e idealismo contra a realidade “crua”, num contexto pessoal e político.

A parte fantástica envolvida no desenvolvimento dos sistemas de magia (alomancia e feruquemia) e os embates que misturam magia e artes marciais continuam sendo um ponto forte do livro, tratados de maneira coerente, criativa e se encaixados muito bem no contexto das tramas políticas e de espionagem.

Brandon Sanderson tem uma boa habilidade para construir personagens convincentes, e faz isso bem mesmo com os que não são protagonistas. O enredo é envolvente e me deixou impressionado, pois não esperava que pudesse avançar muito além do que havia sido estabelecido no primeiro livro. Houve muitos momentos, de mistério, ou de tensão, em que não consegui parar de ler para saber o que aconteceria.

Enfim, outro livro que é um excelente entretenimento. Recomendadíssimo. Já estou para terminar o terceiro. Logo mais falo dele por aqui.

Mistborn, the Final Empire – Brandon Sanderson

MistbornUau, que livro! Mistborn, the Final Emprire é o primeiro de três livros da série de fantasia de Brandon Sanderson conhecida como Mistborn. É o primeiro livro que li deste habilidoso autor. Virei fã instantâneo. Já estou quase na metade do segundo livro e gostando bastante… Sanderson já tem um título publicado aqui no Brasil: Elantris (e que já entrou para minha fila de leitura).

Mistborn é fantasia, mas diferente do que lemos por aí… A história se passa em Scadrial, um mundo no qual se ergueu um poderoso império governado pela mesma pessoa (Lord Ruler), um ser que alcançou a imortalidade e governa como se fosse um deus. Tudo parte desta premissa: Como seria um mundo dominado por um governo tirânico e milenar de imperador imortal, que fora anteriormente profetizado como o salvador do mundo? É isso que veremos nesta série, cheia de intrigas, magia e uma arte marcial peculiar.

Este mundo é assolado por constantes chuvas de fuligem e cinzas durante os dias, e, durante as noites, é invadido por uma misteriosa névoa que cobre toda sua superfície. Lendas apontam para criaturas horríveis que vivem nestas névoas (ou vem com elas) e poucos tem coragem de sair de suas casas durantes as noites. A economia é baseada na força de trabalho de uma casta de humanos escravizados chamados de Skaa. Os nobres governam com mão de ferro e os Skaa oprimidos são seres abatidos e apáticos. O imperador parece impossível de se derrotar e ninguém acredita que isto pode mudar.

Boa parte da história se passa no centro deste império, a capital, Luthadel. O lugar que sustenta um submundo onde gangues de criminosos conseguem sobreviver. Luthadel é o fulcro deste mundo cinzento no qual o verde desapareceu e a população sofre abusos constantes. Crimes como assassinato e estupro cometidos pela nobreza contra os escravos, são tidos como normais e não caem na atenção das autoridades. A própria nobreza é duramente fiscalizada e de certo modo oprimida pelos “Obrigadores” e Inquisidores que fazem parte do clero que sustenta e executa as leis, promovendo o governo no qual a vontade do imperador deus prevalece. É um mundo triste cruel de onde a esperança parece já ter desaparecido por completo.

É difícil falar mais sobre o livro sem atingir algum nível de spoilers. Tentarei minimizar possíveis spoilers então. Um dos pontos fortes do livro está nos personagens. Acompanhamos o sofrimento destes e como isso os transforma ao longo da narrativa.Temos dois personagens centrais nesta história, Kelsier, um dos líderes dos típicos pequenos grupos de bandidos que vivem de roubar a nobreza e Vin, uma adolescente que tenta sobreviver no perigoso submundo dessas equipes de criminosos altamente especializados. O grupo de ladrões recrutados por Kelsier, a elite dos ladrões do submundo, também são personagens muito interessantes e cativantes. Eles, em companhia de Vin acabam aceitando a missão mais desafiadora, e louca, de todas as suas vidas (bem, leia para saber o que).

Outro ponto muito legal do livro é o sistema de magias bastante diferente e original. Aqui, um pouquinho de spoiler: a magia é chamada de Alomancia e é derivada da transformação de metais e ligas metálicas para convocar um conjunto específico de efeitos mágicos. São quatro pares básicos de metais que permitem convocar poderes como força, agilidade, aguçar de sentidos, influenciar emoções e o mais fantástico destes que é a capacidade de atrair ou repelir metais (uma espécie de telecinese seletiva a metais). Normalmente, os Alomanticos (como são chamados esses magos), só possuem um poder. Os raros seres, talvez algo como um em um milhão, que possuem todos os poderes em conjunto são chamados de Mistborn. E muito do equilíbrio do poder neste império está naqueles que podem contar com estes Mistborns como seus aliados. Além desses, os Inquisidores de Aço, um pequeno secto de clérigos tão ou mais poderosos que os próprios Mistborn servem fielmente o imperador, tornado-o ainda mais poderoso e inatingível.

Os principais temas trabalhados no romance são amizade, confiança, traição e amor. É uma história como muito suspense e ação, com grande ritmo e que prende o leitor. Disto isto tudo, fica a dica: altamente recomendado! Excelente entretenimento. Até o próximo!

O Oráculo Esquecido – Ficou Esquecido Mesmo?

Como alguns já sabem, este é o título do próximo lívro da série Trilogia do Novo Elo, iniciado por Olhos Negros e continuado em Maré Vermelha. (ambos livros disponíveis para download gratuito).

Estou escrevendo justamente para dar notícias sobre a produção do livro. O que acontece é que há alguns anos interrompi a escrita do terceiro livro, pois estava com a mente fervilhando para escrever romances de outros temas. Coisa que fiz. Escrevi O Memorial de Quill, A Morte de Öfinnel, Lentes da Perdição, A Queda de Durkheim e mais uns cinco romances pela metade e alguns contos.

O fato é que me afastei desta conclusão por que ficou a tarefa era difícil e desafiadora. Afinal, os dois primeiros livros da série são bastante complexos. Há muitos personagens e tramas e sub-tramas acontecendo ao mesmo tempo. Como encerrar e arrematar tudo isso? Não só arrematar, mas obter um resultado à altura dos livros anteriores? É a pergunta que ficava martelando… E com isso, me afastei para escrever outras coisas novas, para as quais não haviam tantas amarrações assim.

Bom, mas de 2012 para 2013, resolvi que teria como foco terminar este livro. No início foi difícil retormar a trama. Tive que ler os livros anteriores pela n-ésima vez e isso já não bastava. Tive que estruturar as informações de personagens e de tramas a fim de manter a coerência. E mais, agora, por que já tinha escrevi mais dois livros da Terra das Nove Luas e uns 3 outros pela metade, fechar coerência também com esse material adicional.  Mas ter coerência, não é tudo… É só o básico. Além disso, precisava construir fechamento adequado para tramas abertas, para evolução dos personagens e algo que me convença, como leitor, de que o desfecho é satisfatório. Enfim, tenho ainda um grande trabalho adiante.

As boas notícias é que já peguei um bom ritmo com a escrita e consegui avançar bastante do ponto que havia parado (capítulo 45). Nesta última semana, consegui estabelecer também o caminho estrutural para o(s) final(is). Os finais? Mais de um? Tecnicamente, não, mas na prática, um final apenas não será suficiente para contemplar o principal destino dos personagens mais importantes envolvidos na trama. Então, além do final principal (que é o final do enredo principal) decidi incluir alguns epílogos com finais dos personagens não envolvidos diretamente no fechamento principal. Será que vai dar certo? Ainda me pergunto isso… Mas, 2013 está aí para responder essa e outras perguntas. O bom é que se eu mudar de ideia, ou seja, se aparecer alguma ideia melhor, posso mudar as coisas. Essa é uma das partes divertidas de escrever romances.

Outra curiosidade que os leitores podem ter. A história vai realmente acabar neste livro? Bem, sim e não! Como disse, já tenho mais livros em desenvolvimento e uma nova série, para a qual ainda não tenho nome, nem o número de volumes. Esta virá depois, mais ou menos 20 anos depois da Trilogia do Novo Elo. Teremos um novo conjunto de protagonistas, mas isso não significa que alguns personagens da primeira série não possam também participar. Bem, mas é hora de focalizar e retornar ao projeto do ano: O Oráculo Esquecido.

E mais uma coisa, como os outro livros da série, também estará disponível para download gratuito.

Até a próxima!