Elantris – Brandon Sanderson

Capa ElantrisComigo é assim, não sei com você. Quando pego um livro de fantasia para ler quero me envolver com os personagens e ser transportado para uma outra realidade. É por isso que tenho achado Brandon Sanderson um escritor maravilhoso.

Depois de ler alguns livros do Sanderson, percebemos algumas de suas virtudes: sólida construção de personagens, conflitos a serem resolvidos por estes personagens, criação de mundos de fantasia críveis, presença de tramas de cunho político, criação e uso de religiões como parte das tramas, sistemas de magia criativos e cujas regras ficam evidentes aos leitores, conferindo “realidade” à magia, capacidade de criar boas cenas de ação e em alguns casos, suspense.

Mas vamos a Elantris…

Saiu no Brasil pela editora Leya, 576 páginas. Assim como Warbreaker, este é um romance de um só volume, sem continuações (por enquanto). Foi o romance de estreia de Sanderson e para leitores que já leram outros livros do autor, a expectativa pode estar em alta e pode haver decepção à vista. Quando li, já sabia disto e sabia também que ele havia evoluído como escritor em suas séries Mistborn e Stormlight Archives. Então, foi tranquilo aceitar algumas coisas presentes no livro que não são “perfeitas”.

Elantris é uma cidadela arruinada coberta por lodo e sofrimento. Uma prisão onde são atirados mortos-vivos tomados por uma misteriosa maldição que aflige os habitantes do reino de Arelon e do país vizinho, Duladel. Tudo isto começou há dez anos. Antes disso, era uma cidade de luzes e maravilhas, habitada por homens que possuíam vastos poderes mágicos e que até eram reverenciados como deuses.

Personagens

A estrutura do livro nos leva a acompanhar três protagonistas, em capítulos intercalados, cada qual sob o ponto de vista deles.

O Príncipe Raoden, herdeiro de Arelon, que se vê tomado pela maldição/doença e nos mostra a Elantris decaída, pelo lado de dentro.

A Princesa Sarene é uma personagem feminina forte. Prometida de Raoden que chega a Arelon e tem que lidar com o fato de que o contrato de casamento firmado entre os reinos, a obrigou a tornar-se esposa/viúva de um príncipe defunto.

O alto clérigo Hrathen, missionário do agressivo Império Fjordênico que chega a Arelon com a missão de converter a nação para sua religião a fim de criar uma hegemonia teocrática no mundo.

Enquanto Raoden cabe no estereótipo de herói que tem o destino de salvar o mundo e ficar com a garota no final, Sarene não se enquadra totalmente no estereótipo de donzela em apuros, mostrando facetas de líder política e até de guerreira. Já Hrathen, parece fazer o papel de vilão, mas cede seu lugar a outros ao longo da trama.

Há também um elenco de coadjuvantes muito vivos e bem caracterizados. Como exemplos: Há Galadon, o “guia” de Raoden em Elantris; Ashe o Seon ligado a Sarene; e o fanático sacerdote Dilaf que cria algumas dificuldades para Hrathen.

Trama

Um mistério paira sobre Elantris: Por que sua magia desapareceu? Por que as pessoas ficaram doentes? Existe cura? Por que a cidade fica constantemente coberta de lodo e sujeira? Enquanto isso, do lado de fora, a situação política do reino é tensa. A nova monarquia que surgiu após a queda de Elantris ainda é frágil. O rei Iadon, pai de Raoden, ao contrário do filho, não é nada popular e sua forma de governo parece levar o país à ruína. A independência e felicidade do povo de Arelon ficam ameaçadas e o destino aponta para que se curvem ante a Religião Shu-Dereth e o Império Fjordênico. Como diz o alto sacerdote Hrathen: “Você descobrirá que o ódio pode unificar as pessoas mais rapidamente e com mais fervor do que a devoção jamais poderia.”

Não é uma trama que segue 100% perfeita (para os mais exigentes), com um probleminha ou dois que não vou mencionar para não adicionar spoilers. Muitos leitores não chegam a ficar incomodados com alguns dos artifícios utilizados para solucionar alguns conflitos da trama. Eu mesmo percebi, mas não fiquei. Talvez, o que me incomodou foi o ritmo da parte final do livro, em que tudo fica mais acelerado e que culmina com um final um pouco abrupto.

Como é comum em outros livros de Sanderson, há uma diversidade de temas que acompanham a trama. Neste caso, podemos citar a discussão sobre o papel da mulher na sociedade (machismo/feminismo). Tema que também aparece com força na série Stormlight Archives.

Magia

A desaparecida magia elantrina era baseada em caracteres de uma intrincada escrita de ideogramas chamados de Aons. Os nomes dos Aons e seus significados foram usados pelo autor para caracterizar personagens e lugares, mas isto não tem relação direta com a trama, é apenas “um extra” disponível no apêndice do livro. Criaturas mágicas chamadas Seons, que são bolas de luz inteligentes e fieis a seus mestres, são outro elemento interessante do sistema de magia do mundo.

Conclusão

É um romance de fantasia de volume único, criativo, bem executado, com personagens cativantes, magia que foge do tradicional, ação, trama que envolve política e religião e a exposição de outros temas, tais como liderança, a dor, adoecimento, machismo, etc. É um livro que vai certamente agradar os amantes da fantasia e que pode surpreender leitores que não estão habituados ao gênero.

The Emperor’s Soul é um livro mais curto do autor que se passa no mesmo mundo de Elantris, mas são estórias independentes. Adquiri e comecei a ler. Em breve, a resenha. Até lá!

A Spell for Chameleon – Piers Anthony

Este é o primeiro livro da série Xanth, uma série de fantasia criada pelo escritor inglês, Piers Anthony, que tem até agora, 38 livros publicados.

Xanth é uma terra mágica, muito, muito cheia de magia mesmo, ao ponto de gerar confusão para o leitor do tipo “será que vale-tudo neste livro?”. Li sem saber nada, sem ter lido nada a respeito e minha sensação ao iniciar a leitura foi: “Cara, isso é uma viagem de ácido muito louca!”. A boa notícia é que o “ácido” vai assentando e ao final do livro, as coisas acabam fazendo sentido. Outra coisa que me surpreendeu foi alguns temas abordados pelo autor… Fiquei com uma sensação do tipo, “Quando esse livro foi escrito? 1940? Antes?” Mas depois descobri que o livro foi publicado em 1977, não era tão velho assim. No geral, percebe-se uma visão machista e temas sexuais também tangenciam a trama.

Neste livro acompanhamos Bink, um homem (que parece ser o único ser de Xanth) que não possui um talento mágico. Ele precisa descobrir se possui magia, ou será exilado, enviado para a terra não-mágica chamada Mundania. Ele sai de sua vila para buscar um “bruxo sábio” que poderia indicar se ele possui ou não magia. No caminho, enfrenta uma avalanche de perigos e encontra uma dezena de personagens que o ajudam, ou atrapalham em sua missão. Xanth é um terra de muitos perigos, até pensei no termo “montanha russa de ameaças mágicas” para descrever os perigos que os personagens precisam vencer quase o tempo todo, durante a trama.

Depois do choque, você se vê rindo das situações. A forma geral da trama é de uma aventura, uma busca, mas seria possível afirmar que o livro está mais para uma sátira do gênero de fantasia. Mas isso ocorre de modo sutil, a sátira não é tão óbvia e declarada como os livros da série Discworld, de Terry Pratchett (excelente autor, ótimos livros).

Uma das qualidades do livro é a especulação sobre o funcionamento da magia num contexto onde tudo é mágico: as pedras, lagos, rios, animais, plantas, pessoa, tudo tem sua magia, e alguma lógica (estranha) no funcionamento desta.

Só pelo fato do autor ter conseguido reverter algo, aparentemente sem sentido nenhum, numa trama minimamente funcional, eu diria que gostei deste livro. A escrita é um pouco truncada e confusa em algumas passagens, mas não prejudica o todo. É um bom passa tempo para dar algumas risadas e para descobrir o que vai acontecer. Neste sentido, já comecei a ler o segundo livro da série.

Vejam o que o autor fala em seu blog sobre Xanth quando perguntado se vai continuar escrevendo livros da série: “Sim, enquanto o mercado se sustentar. (…) Xanth é fácil, é divertido e vende bem. Todos gostam, exceto os críticos.”

Enfim, não é um livro a se levar muito a sério. Acho válido ler livros com visões politicamente incorretas. É até um alívio poder ler algo assim. O mercado e a sociedade atualmente sufocam a liberdade de criação com a “ditadura do politicamente correto”.

Site do autor: http://www.hipiers.com/

Warbreaker – Brandon Sanderson

Warbreaker CapaNeste romance somos apresentados a mais um dos típicos mundos de Brandon Sanderson, ou seja: personagens cativantes, tramas interessantes e como sempre, sistemas de magia inovadores. Nele, há um tipo bizarro de magia relacionado às cores. Todas as pessoas possuem uma energia BioCromática chamada de Sopro, (sopro vital, ou Breath). Quanto mais sopros uma pessoa acumula, mais efeitos mágicos ela pode produzir, sendo o mais notável a animação de objetos e seres mortos, habilidade conhecida como Despertar (Awekening). Diferente da maioria dos livros do autor, não faz parte de uma série, mas não é por isso que tem ambientação ou sistemas de magia inferiores.

No pano de fundo deste romance estão dois reinos vizinhos, Idris e Hallandren, que  já foram unificados. No passado, a família real abandonou a capital para se estabelecer em Idris, nas montanhas, e o restante do reino passou a ser governado pela dinastia dos Reis-Deuses e sua corte de Deuses Vivos. Neste mundo, uma pessoa pode voltar da morte carregando uma grande quantidade de sopros consigo, e em Hallandren, os Retornados, como são conhecidos, são venerados como Deuses. Já os Idrianos possuem outra religião, que venera um deus único e imaterial chamado Austre.

O enredo segue a trajetória de duas princesas de Idris, Siri e Vivenna, que vão para T’Telir, a grande capital de Hallandren. Uma delas está destinada a casar-se com o atual Rei-Deus. Este casamento arranjado, supostamente colocaria fim nas tensões antigas entre os reinos e evitaria uma guerra  eminente. Mas é claro que as coisas são mais complicada do que isso, e na medida que o enredo se desenvolve descobrimos intrigas, conflitos de natureza religiosa e vamos conhecendo o contraste entre visões das culturas destes reinos. Aí entram outros personagens principais como o Deus, Lightsong, o próprio Rei-Deus, Susebron, Bluefingers, o escriba chefe e administrador do palácio do Rei-Deus, um pequeno grupo de mercenários e o misterioso Vasher, um homem muito proficiente na arte do despertar e é claro, sua espada inteligente (e sanguinária): Nightblood.

Lightsong, o Deus ateu e preguiçoso, certamente foi meu personagem favorito no livro. Os diálogos dele são impagáveis e memoráveis. Um dos temas mais presentes no livro é o contraste entre as visões das culturas e suas religiões. O grupo de mercenários liderados por Denth também é hilário. Ele e seu braço direito, Tonk Fah, sempre estão fazendo ótimas piadas em torno dos preconceito contra a profissão de mercenário.

O próprio autor aponta como tema central do livro a reversão de posições/pontos de vista. Ou seja, o tema central é o preconceito e a eventual dissolução deste. É um livro que praticamente todos os personagens vão mudando e junto com eles, a própria percepção do leitor. As cores são um elemento narrativo muito usado e que faz parte da visão cultural dos povos, assim como do sistema de magia.

É um excelente livro, do tipo “virador de páginas” que você não consegue largar.

Depois de tudo, a boa notícia é que este é um romance que o autor liberou na internet gratuitamente. Li na plataforma Wattpad e gostei muito da experiência: Veja aqui. Está disponível em outros formatos também: veja aqui.

Livros da Multiversos no Wattpad

Descobri o Wattpad a relativamente pouco tempo, e não pela internet, mas por uma reportagem em jornal impresso. Para quem não conhece, trata-se de uma comunidade que permite a interação entre escritores e leitores que pode ser acessada pela web ou pelo aplicativo para celulares/tablets iOS e Android. Tipicamente autores disponibilizam suas estórias de forma seriada.

Nele é possível encontrar livros de diversos gêneros e muitos títulos de novos escritores. Mas também encontramos escritores consagrados nele, como por exemplo, Brandon Sanderson, que disponibilizou o romance Warbreaker gratuitamente nesta plataforma. Já falamos aqui do Brandon Sanderson, nas resenhas da série Mistborn e Stormlight Archives.

Comecei a ler  Warbreaker no aplicativo para Android e gostei muito da experiência. (Não ganha do Kindle, mas é muito bom).

Depois disso, pensei em utilizar a plataforma para divulgar meus trabalhos. Vi que, devido às possibilidades que cria de interação entre escritor e leitores no próprio texto, seria um bom lugar para trabalhar versões Alfa e Beta dos meus romances e contos.

capa_livro__memorial_quill_A5_v1E então, a grande novidade é que já disponibilizei (o início) de um novo romance inédito (em português) que se passa na Terra das Nove Luas: Memorial de Quill – Exterminador de demônios. 

Além disso, também comecei a disponibilizar a Trilogia do Novo Elo lá. Os primeiros capítulos de Olhos Negros já podem ser lidos pelo Wattpad. Pretendo publicar ao menos dois capítulos por semana, seguindo o modelo de publicação em série largamente utilizado pelos autores na plataforma. Depois do Memorial de Quill, minha expectativa é disponibilizar outros três romances já concluídos.

Multiabraços e vejo vocês no Wattpad!

Galápagos – Kurt Vonnegut

GalápagosJá falamos de Kurt Vonnegut aqui antes, quando indicamos Matadouro 5, um excelente livro. O estilo do autor é mesmo surpreendente. Possui uma escrita bem-humorada e numa narrativa não linear trás personagens excêntricos e situações tão esquisitas que não podem ser consideradas como algo aparte do gênero fantástico. É um escritor que brinca com o leitor. Os fragmentos narrativos vão se aglutinando até que temos, no final, uma visão do todo.

A estória é narrada do ponto de vista de alguém, que no início não se sabe se é um viajante do tempo, ou mesmo a voz narrativa do autor, que conta os fatos em 1986 (e antes disso) do ponto de vista de quem está a um milhão de anos no futuro. (E preferimos não contar… Sem spoilers, né?)

A trama gira em torno dos tripulantes que virão a embarcar num cruzeiro para as ilhas galápagos à partir do Equador. Esta tripulação, e o caminho que os levou até ali são importantes, pois serão estes os fundadores de uma nova humanidade de daqui a um milhão de anos. As ilhas galápagos foram objeto de estudo de Charles Darwin e contribuíram para a formulação de sua teoria da evolução das espécies, nesta temática está uma das premissas do livro: que os seres humanos (e mazelas da humanidade) são fruto de um caminho evolutivo ruim.

O desenvolvimento fragmentado de cada um dos personagens, algumas passagens de suas vidas e como estas se cruzam é um aspecto interessante da obra. É também uma sátira de muitos aspectos de nossa sociedade e do que consideramos ser humano. A maneira que o autor idealiza a humanidade de daqui a um milhão de anos é no mínimo inusitada. A escrita de Vonnegut é espirituosa e deliciosa chegando criar sua própria metalinguagem.  Por exemplo, aparecem asteriscos em algumas palavras na narrativa e que a princípio pensamos que se trata de um erro de editoração, mas adiante descobrimos que existe uma função narrativa. Por essas e outras tantas é considerado por tantos um escritor genial.

Mais um livro que recomendo fortemente. Boa leitura!

Words of Radiance – Brandon Sanderson

Words of Radiance

Words of Radiance

Words of Radiance é o segundo livro da nova série, The Stormlight Archives.). Se inicia logo após os eventos narrados em The Way of Kings. Neste livro, há mais foco na personagem Shallam. Há uma narrativa em flashbacks com foco nela, da mesma maneira que ocorreu com Kaladin no primeiro livro. Ela cresce muito como personagem ao ter seu passado revelado, mas também ao ter que avançar ainda mais como alguém que deve evoluir, agir, e até arriscar sua vida para defender seus ideais, ou ainda, para salvar o mundo. A despeito do foco em Shallam Davar, vemos também muita evolução em torno dos personagens Kaladin, Adolin e Dalinar.

Para quem leu Mistborn e outros livros do autor, a esta altura dá para começar a perceber as semelhanças entre eles, e que não são mera questão de estilo. O mundos fantásticos em que se passam os livros possuem uma conexão, fazendo parte do universo Cosmere. Há até um personagem, Hoid, que faz aparições em vários livros de diferentes séries. Aqui aparece como o personagem Wit e pode ser visto, talvez,  como uma espécie de voz do autor, ou talvez como um recurso de metalinguagem na função narrativa…

Bem, o livro também é enorme, como o primeiro, tendo mais foco no aprofundamento de personagens do que em avanço da trama. Toda a trama presente no final do primeiro livro continua presente e se desenvolvendo, e, o autor ainda acrescenta novos elementos. E ele consegue promover um clímax no final do livro ainda mais grandioso que no primeiro. Fica uma impressão de crescendo na série, o que é muito bom. A sensação de lentidão que havia em certos trechos do primeiro livro é reduzida neste, e temos mais forte aquela sensação de ter que continuar virando as páginas para ver o que acontece depois.

Quanto a ambientação e alguns temas/conflitos de natureza social que permeiam a trama, é bem visível que o preconceito e sexismo existente na cultura dos Alethi (na qual se passa grande parte da trama), não é algo que universal no mundo de Roshar. É interessante ver que o status quo é questionado pelos personagens e situações da trama e que possivelmente veremos alguma mudança social maior acontecendo nos próximos volumes.

É um tanto difícil falar mais sobre esse livro sem correr o risco de spoilers, mas podemos dizer que o consegue promover uma boa combinação de guerra, política, visão acadêmica, religião, conspirações, assassinos, magia, deuses, etc, sem ser exatamente uma bagunça.

Outra coisa legal que vale mencionar é a arte do livro. É muito boa e ajuda a visualizar algumas das criações do autor que seriam muito difíceis de visualizar apenas a partir das descrições. E tudo isso inserido logicamente dentro da trama, pois Shallan é uma acadêmica, e artista, obcecada por desenhar e representar tudo que está ao seu redor. E ainda mais, o desenvolvimento de seus poderes torna-se ligado à sua habilidade artística. Então as ilustrações fazem sentido na trama, não é apenas como se alguém tivesse contratado um artista para ilustrar um livro, é o personagem que o faz de acordo com a lógica da trama. (de novo aqui a metalinguagem)

Minha impressão final: até aqui a série paga muito bem o tempo investido na leitura. O autor é realmente ambicioso e muito bom. Sinta-se com sorte se puder ler esses dois livros, mas prepare-se para esperar bastante para ler as continuações. Uma sensação que pode surgir é que a despeito do tamanho enorme do livro, você vai continuar querendo ler, simplesmente por não haver nenhuma outra coisa mais divertida para fazer. Depois de terminar e começar outro livro (não tão bom) fica aquele desejo de que Words of Radiance  fosse maior e não tivesse acabado.

The Way of Kings – Brandon Sanderson

Brandon Sanderson é certamente um expoente da literatura fantástica atual. Em sua nova série, The Storlight Archives, ocorre num novo mundo de fantástico que é revelado aos leitores gradualmente através de uma trama que envolve um conjunto de personagens sólidos e memoráveis.  Especialmente após a leitura do segundo volume desta série, Words of Radiance, ficam evidentes semelhanças de alguns aspectos estruturais que se mostram na trilogia Mistborn, que começou a sair no Brasil pela editora Leya. Certamente as séries de Sanderson estão entre as melhores obras de fantasia que venho lendo ultimamente… Recomendo muito!

O próprio autor diz que “Words of Radiance foi escrito como uma carta de amor ao gênero de fantasia épica. Continua The Way of Kings e é o tipo de livro atinge o potencial que sempre sonhei para fantasia épica”.

Mas vamos ao primeiro livro da série….

The Way of Kings

Este livro tem mais de 1000 páginas e é o primeiro de uma série (prometida) de dez livros. Então, dá para esperar muita coisa pela frente. Se passa no mundo de Roshar, um lugar assolado por tempestades mágicas onde já se travaram batalhas entre a humanidade e um terrível inimigo há muito desaparecido e que deixou em seu lugar apenas lendas.

Toda a criação de mundo é vívida, sendo Roshar um mundo de fauna e flora peculiares onde existem animais comuns como cavalos e galinhas, mas também outras criaturas fantásticas, como enguias voadoras e crustáceos gigantes. Alguns que servem de animais de carga, e outros que são temidos predadores. O clima é também um elemento relevante na trama (como eram as brumas da série Mistborn).

O sistema de magia também, como em outras obras de Sanderson, é bem elaborado, interessante e consistente. Uma das expressões do poder mágico na obra se materializa nas armaduras e espadas mágicas através das quais, poucos habitantes deste mundo conseguem expressar superpoderes que vão além dos tipicamente vistos em outras obras de fantasia. A própria descrição (e desenhos que vemos nas obras) destes artefatos parecem advir do gênero de super-heróis, ou dos animes.

O começo do livro é um pouco devagar, pois os fatos do mundo, seu funcionamento e problemas, são introduzidos juntamente com os personagens principais da trama. Dá para perceber que o primeiro livro é usado para estabelecer a base para o desenvolvimento da série. Há tramas e subtramas de cada um dos personagens, que vão eventualmente se entrelaçando e mais perto do final, o ritmo da estória fica frenético, do tipo, não consigo parar de ler isto, mas vale um pouco de paciência até chegar lá. Mas não digo isso como algo ruim, o livro é progressivamente envolvente e imersivo.

Uma das qualidades do autor são suas cenas de ação. Há muita ação no livro e de boa qualidade. Mas ao mesmo tempo, há muitos outros temas psicológicos que são desenvolvidos. Religião x ateísmo, preconceito, sexismo, destino, perseverança, confiança, liderança, etc.

Cada um dos personagens possui um campo de conflitos distintos e que os torna interessantes de se acompanhar. Há três protagonistas, Kaladin, Shallan e Dalinar, mas também um monte de outros personagens importantes que aparecem nos interlúdios e em torno dos protagonistas. O foco principal é em Kaladin, um escravo que sofre maus bocados, mas que de alguma forma luta contra o destino ruim que caiu sobre si. Dalinar é uma mistura de nobre e general e ele Kaladin mostram uma faceta dominante na estória: o militarismo. Há uma grande e extensa guerra em andamento e muito do que ocorre naquela região do mundo gira em torno disso. Shallan é acadêmica jovem da baixa nobreza que traz à trama temas fora do foco militar, mas que também evidencia que há uma outra dimensão de problemas que poderão vir à tona e que só estão sendo considerados no planos de pesquisas acadêmicas.

Haveria muito mais a falar sobre esse livro… A mensagem principal seria: é um livro de fantasia muito bom! Mas é melhor parar por aqui, antes que apareçam spoilers….

Oráculo Esquecido – Versão Beta

Oráculo Esquecido BetaOlá leitores!

Finalmente está chegando o momento do lançamento do Oráculo Esquecido. Tenho recebido muitas mensagens de leitores da série querendo saber da data de lançamento. Não consigo dizer isto ainda…

Para quem não quiser esperar, disponibilizarei uma versão beta a ser enviada por e-mail. Para pedir o seu, basta comentar este post informando se deseja o livro em formato ePub ou mobi (kindle).

Estejam cientes da possibilidade da versão final sair com algumas alterações, e mais lapidada, se comparada com a versão beta.

Novidades da Trilogia do Novo Elo

Olá pessoal, hoje disponibilizei uma nova versão do livro Maré Vermelha. Ela conta com algumas novas correções no texto e incluí uma imagem de um mapa das regiões mencionadas no livro.

capa livro maré vemelha

Você pode baixar o livro para ler em seu dispositivo favorito aqui.

Capa Olhos Negros

Para você que acabou de chegar, comece com Olhos Negros.

 

 

Recentemente terminei o segundo manuscrito de Oráculo Esquecido e já sigo no trabalho do terceiro manuscrito. :-) Ao final do segundo manuscrito contabilizei 678 páginas, 205.324 palavras, 120 capítulos e mais alguns mini-capítulos (epílogos).  Ficou bem maior que os livros anteriores, mas pretendo enxugar um pouco o texto para o lançamento, em breve.

Vejam o mapa incluído em Maré Vermelha:

Mapa

Mapa

1356 – Bernard Cornwell

1356 capa

1356

Bom, certamente não é um livro de fantasia, mas certamente esta ficção histórica tem afinidade com muitos títulos de fantasia que tratam em sua temática o enfrentamento de forças militares no período medieval, como é o caso de O Senhor dos Anéis e das Crônicas de Gelo e Fogo (Guerra dos Tronos).

Este livro trata de uma versão ficcional da Batalha de Poitiers, uma importante batalha ocorrida no ano de 1356 no contexto dos longos conflitos ocorridos entre França e Inglaterra (Guerra dos 100 Anos). Traz como protagonista (a volta de) Thomas de Hookton, um arqueiro Inglês que foi elevado ao status de cavaleiro durante a “série do Graal” composta pelos livros “O Arqueiro”, “O Andarilho” e “O Herege”. Bem, não quer dizer que o livro trata apenas desta batalha, esta na verdade é o ponto culminante da trama. Esta se desenha desde o início e envolve uma relíquia da igreja, a espada La Malice, apelido dado à espada que teria pertencido a Pedro, discípulo de Jesus. Também é citada em determinada passagem bíblica, portanto, um item sagrado para a Igreja Católica.

Fora a questão da batalha, a trama está centrada no mistério em torno do paradeiro e origem da espada, mas também tem outras tramas com elementos de romance, intriga e vingança que envolve uma gama de personagens interessantes de diversas naturezas, tais como, frades, padres, reis, senhores feudais, homens do grupo mercenário de Thomas, os Hellequins, nobres cavaleiros, e até guerreiros e nobres escoceses. Esse elenco é bem caracterizado e o autor possui habilidade para fazer o leitor detestar alguns deles, simpatizar ou torcer por outros na medida em que a trama se desenvolve.

Bernard Cornwell é britânico e já publicou um grande número de romances históricos com aspecto militarista. É muito habilidoso em suas descrições de cenários, construção de personagens e principalmente, na forma que descreve e reconstrói confrontos armados, diria até, que ele é didático, pois ensina ao leitor não habituado com os termos de batalha, armas, armaduras e seu funcionamento e o próprio contexto histórico que circunda a trama. Não é para menos, visto que ele é um renomado professor de história.

Gostei muito deste livro, certamente o primeiro de muitos a ler deste habilidoso autor. Uma leitura recomendada, sem sombra de dúvida!